20/05/19

Passe Navegante





Agora não importa se em Sintra há cancela Com o novo passe já passo por ela Com o dinheiro que me sobra eu pago-te o jantar Agora 'tá tudo baby boy, anda aqui sentar Vou de comboio, não vou de avião Não há pica que me impeça Eu não aguento a solidão


Babes & The Baby - Passe Navegante




16/05/19

poesia subversiva


   Annemarie sentou-se à minha mesa. Vi logo o tamanho da sua solidão: tinha o tamanho do mundo. Ela era a criatura mais só do mundo. E a sua história apareceu  - simples, tenebrosa - entre as nossas duas cervejas. Todas as histórias pessoais são simples e tenebrosas. Não me comovi. Comovido já eu estava: com as coisas, comigo, com a chuva sobre a cidade. Talvez houvesse uma irónica alegoria em nós dois ali sentados diante dos belos copos frios, compreendendo ambos tão facilmente o que nos acontecia e iria acontecer que não tínhamos pressa. Poderíamos morrer ali mesmo. Esperávamos.

(...)

   Annemarie tinha o dom da poesia subversiva. Subvertia tudo. A seu lado senti que a minha vida era importante. Que a arriscaria, sempre e sempre, que perderia, mas nada cedendo de mim próprio.

Herberto Helder in Os Passos em Volta (Polícia)


10/05/19

Existe sempre o mar





agosto 2018




Existe sempre o 
Mar
Sepultando
Pássaros 
Renovando soluços 
Rompendo gestos.

Hilda Hilst em Baladas

26/04/19

Lua Vermelha








julho 2018


  
 Metêmo-nos no barquinho de madeira do F., bem apetrechados de comida, bebida e poesia.  No meio do rio enquanto anoitecia, procurámos a lua vermelha e quase fomos fintados pelo eclipse mas assim que a vimos, pequenina, entre montes, latimos como selvagens. Afinal, não é todos os dias que se assiste em lugar privilegiado a algo tão mágico.