03/11/17

Sororidade:






Sertã | agosto 2017


   "É a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum." Acrescento que é também contrariar a ideia ainda tão presente na sociedade patriarcal em que vivemos, de que as mulheres têm de ser rivais e estar constantemente em competição. É respeitarmos a individualidade, apoiarmos sem julgamento o caminho de cada uma, celebrarmos alegrias e chorarmos dores juntas e compreendermos que quando nos apoiamos, saímos todas a ganhar.

29/10/17

Isabel e Elisa



























julho 2017

   

   Partilhamos genes e memórias de infância. Já fomos guerreiras da lama, sócias/proprietárias/clientes à vez em negócios de vendas de móveis por catálogo, restaurantes de revenda da comida da mãe, pastelarias com a especialidade de bolos de pedra, co-fundadoras da igreja do chocapic e dos funerais de fruta podre. Cantoras/bailarinas no grupo (inocentemente chamado) "As Coelhinhas Fofinhas", entre muitas outras brincadeiras em tardes que pareciam infinitas. Alternamos barrigadas de riso com brigas de fim do mundo mas sabemos que os ressentimentos não duram muito tempo porque, acima de tudo, somos irmãs.

27/09/17

O que fica





























Porto dos Fusos | junho 2017



    Na aldeia em que a minha mãe nasceu, uma semana depois do episódio que nos deixou de coração nas mãos, a minha avó e a minha tia mostram-nos o que ficou. Uma flor que no meio de cinzas e folhas secas insiste em florescer, os animais que, ainda assustados, andam ocupados nas suas vidas e nos motivam a fazer o mesmo. Qualquer sinal de vida é agora ainda mais precioso no contraste com a falta dela, com as árvores que desapareceram, secaram ou murcharam, com o palheiro que desabou. Depois do terror e do medo, o que fica são os exemplos vivos de quem não pára para se lamentar mas continua a procurar luz no meio do escuro, que depois dos relatos emocionados de um dos piores dias das nossas vidas e com o negro cenário com que têm de se deparar todos os dias a lembrar o que perderam, continuam a ser capazes de rir e apreciar o que de bom ficou. O exemplo que dão mesmo sem se aperceberem - há coisas que nenhum fogo nos pode levar.